Colesterol Total, HDL, LDL – Entenda o que significa cada um.

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| O que significa cada tipo de colesterol?

| Quais são os valores normais?

| Quando se deve tratar e qual o objetivo?

| Medicação para colesterol causa diabetes?

 


Médicos mal-intencionados de um lado, especulando sobre uma “conspiração” para venda das estatinas. Prescrições inadequadas de estatinas por três meses e falta de orientação ao paciente, do outro lado. Esse é o cenário atual de quem sofre de dislipidemia e busca informações na internet.? 

Depois de ler esse post você vai poder tirar suas próprias conclusões sobre o assunto, entender como acontece a aterosclerose e suas consequências desastrosas e irreversíveis, decidindo com maior segurança o tipo de cuidado que deve ter.

 


 

PERGUNTAS E RESPOSTAS

O QUE É COLESTEROL?  |PARA QUE SERVE?  |É SÓ DEIXAR DE COMER QUE ELE CONTROLA?

O colesterol é um tipo de esteroide, encontrada somente no organismo dos animais (nos vegetais existem os fito esteróis), que participa da composição da membrana de todas as nossas células. Ajuda a regular a entrada e saída de substâncias das células, e por isso participa da manutenção do equilíbrio do nosso organismo.

Portanto, é uma substância vital para que nosso corpo funcione perfeitamente.

Além disso, é substrato para produção de hormônios (masculinos e femininos), na produção da vitamina D (que evita a osteoporose), na proteção dos nervos (mielina) e na digestão das gorduras (bile).

Cerca de 70% do nosso colesterol é fabricado pelo fígado e somente 30% vêm da dieta. É importante ter isso em mente, pois a dieta mais radical só conseguirá controlar esses 30% restantes.

Diferente do que alguns acreditam, distúrbios do colesterol acontecem também em quem está com peso ideal, jovens e crianças (hipercolesterolemia familiar). Obesos tem mais predisposição à síndrome metabólica, que pode gerar maior acúmulo de LDL-c e maior chance de complicações cardiovasculares.

 

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QUAIS OS TIPOS DE COLESTEROL? |EXISTE COLESTEROL BOM? | O QUE ATEROSCLEROSE?

É importante saber que o exame de laboratório mede o nível da proteína que transporta o colesterol, que é uma lipoproteína, pois ele não consegue circular livremente no sangue.

As lipoproteínas medidas são: LDL –  Low-Density Lipoprotein (“colesterol ruim”) e HDL – High-Density Lipoprotein (“colesterol bom”)

O LDL  se caracteriza por facilmente se infiltrar nos tecidos (paredes dos vasos sanguíneos), gerando uma reação de inflamação e com isso a formação das placas de gorduras. A seguir, no processo de cicatrização dessas placas, ocorre o estreitamento e obstrução da passagem do sangue (aterosclerose). Essa obstrução pode gerar doença cardiovascular aguda (Infarto e AVC) ou crônica (angina, isquemia nos membros e micro lesões no cérebro e demência).

Aterosclerose se desenvolve silenciosa e lentamente, evoluindo durante anos, e não em dias ou semanas. A partir da pós-adolescência (19 a 20 anos) se inicia o processo de acúmulo de placas e as consequências aparecem a partir da maturidade (50 a 60 anos).Caso a pessoa possua um nível muito elevado de LDL ou outros problemas como diabetes, hipertensão e tabagismo (fumo), essa evolução se acelera muito.

 

O HDL, tem maior predisposição para ficar mais na corrente sanguínea, retirando da circulação o excesso de colesterol LDL e por consequência, evitando seu acúmulo na parede das artérias. Daí ser chamado de BOM COLESTEROL. O excesso de LDL é levado ao fígado e eliminado.

Observação: os triglicerídeos constituem uma das formas de armazenamento de energia mais importantes no nosso organismo, que fica depositado como tecido adiposo. Servem para produção de energia de consumo imediato pelo organismo, mas sua elevação não causam risco de problemas cardiovasculares (pode causar pancreatite).

 

 

AUMENTO DO COLESTEROL DÁ SINTOMA? |QUAIS OS VALORES NORMAIS?

O aumento do colesterol é totalmente assintomático, até desenvolver aterosclerose. O diagnóstico deve ser feito por exames de sangue de rotina ou Check-up em adultos a partir dos 20 anos e adolescentes a partir de 13 anos, caso tenham histórico de hipercolesterolemia familiar.

Os valores normais são separados pelo Risco Cardiovascular. Esse risco é calculado pelo médico, levando em conta o histórico familiar e a presença de outras doenças. Quanto maior o risco cardiovascular calculado, menor deve ser o nível de LDL-colesterol.


Em adultos saudáveis (+20 anos):

– Colesterol total – menor que 190 mg/dl

– HDL-c – maior que 40 mg/dl

– LDL-c – menor que 130 mg/dl

 

Adultos com risco cardiovascular intermediário, alto ou muito alto:

– Colesterol total – menor que 190 mg/dl

– HDL-c – maior que 40 mg/dl

– LDL-c – menor que 100 mg/dl (que 70 mg/dl ou menor que 50 mg/dl)


 

 

MAS ENTÃO O QUE ELEVA O LDL COLESTEROL?

Defeitos genéticos na produção, quebra (degradação) ou transporte do colesterol (Hipercolesterolemia familiar) s]ao as principais causas de elevação patológica do colesterol. Devem ser identificados e tratados rigorosamente, pois causam problemas muito precocemente.

Hábitos de vida ruins, como o consumo de alimentação inadequada, rica em gordura animal e à base de fritura, associado a sedentarismo, sobrepeso e tabagismo, levam a aumento do colesterol LDL e maior risco de infarto e AVC.

Outras doenças também podem alterar o metabolismo do colesterol, como hipotireoidismo, diabetes, obesidade e doença renal.

 

É POSSÍVEL REDUZIR O NÍVEL DE LDL SEM MEDICAÇÃO?

Como dito acima, somente 30% depende de dieta.

Hábitos de dieta mais saudáveis, aumentando o consumo de gordura insaturada, encontrada em azeite de oliva, óleos vegetais (girassol, canola e arroz), gordura do abacate e das frutas (castanhas, nozes e amêndoas). Peixes de escama também são importantes fontes de gordura insaturada. Cuidado com as gorduras vegetais, disfarçadas como gordura hidrogenada, pois são muito prejudiciais à saúde.

Existem fibras que auxiliam na redução do Colesterol total e do LDL-c, como o Psyllium e o farelo de aveia, com ingestão mínima de 25 g por dia, para fins de proteção para doença cardiovascular.

Sair do sedentarismo e modificar drasticamente a dieta (evitar frituras, carnes processadas, embutidos e  mariscos), nos casos de baixo risco e elevação até 30% acima do nível ideal, muitas vezes é o bastante para dispensar o uso das medicações.

 

 

QUANDO USAR MEDICAÇÕES E POR QUANTO TEMPO?

Quando a dieta e exercícios não são suficientes, tendo repetido a medida do colesterol dois a três meses após dieta e atividade física, se inicia o uso da medicação (estatina). Caso a pessoa já possua diagnóstico de doença obstrutiva das artérias ou histórico de infarto ou AVC prévios, está indicada a medicação precocemente, como uma forma de prevenção secundária, o que evita novos problemas.

Observação Não existe nenhuma documentação de que o tratamento por três meses cause qualquer benefício na prevenção de infarto e AVC. Não se sabe de onde veio essa informação totalmente descabida, mas é muito comum ouvir de pacientes que foram orientados dessa maneira. O efeito protetor da medicação vem do uso continuado, por pelo menos um ano, com medidas que comprovem  o controle adequado dos níveis de LDL.

Três grandes estudos (WOSCOPS, AFCAP/TexCAPS e JUPITER), que somam mais de 30 mil participantes, demonstraram que as estatinas reduziram 30% a 40% do número de infartos, com 20% de redução da mortalidade causada por eles. Porém as estatinas não aumentam a longevidade, ajudam a prevenir infartos, derrames cerebrais e tromboses venosas assegurando uma velhice com melhor qualidade de vida.

 

Pessoas que já apresentaram infarto, tem doença documentada nas coronárias ou já apresentaram AVC, tem indicação de controle medicamentoso rigoroso dos níveis de colesterol, como uma maneira de prevenir novos episódios. Devem iniciar o tratamento com medicação imediatamente, e a manter níveis ainda mais baixos de colesterol ruim (LDL) e ainda maiores de colesterol bom (HDL). Comprovadamente, o uso de medicações evitam novos casos e sequelas.

 

QUAIS OS EFEITOS COLATERAIS DAS ESTATINAS? |É VERDADE QUE CAUSAM DIABETES?

O efeito colateral mais citado em publicações, e muito comum no passado, eram as dores musculares. Hoje gira em torno de 5% dos pacientes, e geralmente reversíveis com a troca do medicamento. Não há evidências definitivas de que as estatinas provoquem perda de memória, como relatado ocasionalmente. O risco de desenvolver diabetes só foi documentado em idosos que já apresentavam intolerância à glicose (glicemia de jejum entre 100 e 119).

OBSERVAÇÃO: Um novo medicamento, já disponível no Brasil, diferente das estatinas, é capaz de controlar o colesterol inibindo diretamente sua produção pelo fígado. O medicamento bloqueia a atividade de uma enzima natural do corpo, chamada PCSK9. Essa enzima destrói os receptores de LDL no fígado, cuja função é retirar o excesso de colesterol ruim em circulação. Ainda está em pesquisa, sendo indicada apenas para casos graves de hipercolesterolemia familiar, com risco de complicações antes do 40 anos de idade.

 



RESUMO:

1| O colesterol é substância essencial à vida, sendo produzidos pelo fígado 70% do total circulante.

2| Níveis elevados de LDL se acumulam na parede das artérias, com reação inflamatória e um processo de aterosclerose (obstrução da circulação)

3| O HDL colesterol em níveis satisfatórios retira o excesso de LDL da circulação e “protege” as artérias da obstrução.

4| Grande parte das pessoas com dislipidemia (elevação do colesterol) vai precisar de medicação, mas é necessário realizar dieta e mudanças no estilo de vida, para definir.

5| O nível ideal de LDL depende do cálculo de risco ao qual a pessoa está exposta, e daí a necessidade ou não da medicação.

6| Uma vez iniciada a medicação, deve ser mantida para toda a vida, para conseguir a proteção contra os estigmas da aterosclerose.

7| As estatinas não aumentam a longevidade, mas evitam perdas de função (infarto, derrame, amputações), que restringem a qualidade de vida de forma importante.

 

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Dr. Paulo Meirelles

Médico especialista em medicina interna e cardiologia, formado pela Universidade Federal da Bahia e Hospital Santa Isabel, com atuação em terapia intensiva, medicina hospitalar e ecocardiografia.
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