Paciente Idoso – Cuidado e Atenção aos Detalhes

paciente-idoso--cuidado-e-ateno-aos-detalhes-cardiopost|O idoso exige atenção especial aos detalhes, e muita empatia entre médico, paciente e familiares

 

O médico e os familiares devem buscar incansavelmente a manutenção da autonomia e segurança do idoso, cuidando sempre para que sua opinião seja levada em consideração e suas atividades habituais sejam desempenhadas dentro do limite de sua capacidade.

 

 

O envelhecimento é um processo de crescente diferenciação, em que nos tornamos cada vez mais singulares e com necessidades especiais.

O processo de tomada de decisões pelo médico deve levar em conta estas características: os aspectos biológicos e psíquicos, sociais e culturais, e os valores individuais do paciente.

O compartilhamento de decisões com o idoso, sempre que possível, passa a ser a regra! Sua autonomia deve ser valorizada e mantida ao limite máximo possível. A família tem um papel preponderante, quando o comprometimento do entendimento do idoso impossibilite que tome suas próprias decisões, mas sempre respeitando e ouvindo suas opiniões. Assim ele se sente valorizado e auto-suficiente, mesmo que cada vez menos.

Estar atento para a capacidade funcional e qualidade de vida, otimizando os cuidados aos problemas de saúde do idoso, sem perder de vista que o tratamento não pode ser tão ou mais deletério que a doença, também é regra pétrea do seu cuidado e assistência.

Por todos os motivos elencados acima, o acesso a um cuidado de qualidade é importante.

O idoso frágil é um indivíduo de alto risco para iatrogenia (mal causado na tentativa de diagnóstico ou tratamento), tanto do ponto de vista da utilização de medicamentos, quanto da solicitação de exames e procedimentos “agressivos” ao seu organismo.

Internações hospitalares intempestivas, particularmente em ambientes hostis como as UTIs, podem ser extremamente prejudiciais, além de levar a sofrimentos muitas vezes desnecessários. Isso pode significar o ponto de inflexão para um processo de declínio e deterioração de sua saúde, capacidade funcional e qualidade de vida.

 

Quantas vezes vemos idosos internados em UTIs por “prudência”, para em seguida testemunharmos o agravamento de seu estado de saúde por delirium, intervenções sucessivas e depreciação do estado de atenção e saúde mental?

A isso chamamos de cascata iatrogênica, culminando às vezes com a perda irreversível de sua capacidade funcional, independência e autonomia.

 

Parte significativa dos médicos tem se voltado para os Cuidados Paliativos, como um aspecto essencial da prática clínica. Mesmo com toda preocupação do profissional, a maioria das vezes se tem muito mais a aprender com a maneira como cada família se organiza e como o idoso participa desse arranjo familiar.

O cuidado compassivo e humanizado toma especial relevância no cuidado ao idoso hospitalizado, pois a empatia entre médico e paciente, e desses com os familiares, é essencial. Uma relação de profunda confiança precisa se estabelecer, para que se consiga preservar a autonomia e integridade física e mental do idoso frágil.

 

O médico passa a ser educador e conselheiro entre o paciente e seus familiares, interagindo e pesquisando a fundo a sua individualidade e se integrando aos cuidados da família com o paciente.

Durante internamento hospitalar, age como elo entre o paciente e seus familiares e os outros profissionais do cuidado médico, orientando-os sobre quais expectativas existem no tratamento ao idoso, quais procedimentos devem ser feitos e como pretendem conduzir a internação.

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Dr. Paulo Meirelles

Médico especialista em medicina interna e cardiologia, formado pela Universidade Federal da Bahia e Hospital Santa Isabel, com atuação em terapia intensiva, medicina hospitalar e ecocardiografia.
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